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Jaiel de Assis Tenho um grande carinho por muitas figuras humanas, pessoas as quais perdi contacto, muitas das quais retornei pela internet. Uma delas, Jaiel de Assis, uma pessoa importante na música paraibana dos idos dos anos 70, junto com Pedro Osmar, Ivan Santos, Paulo Ro, Aranha, Zé Ramalho, etc. Jaiel tem uma origem meio ambígua entre o Roger e Jaguaribe, mas, enfim, um cara importante e meio esquecido (ou não?) na esquecida trajetória da música popular na Paraíba. Recordo principalmente (por que recordo disso?, tenho memória de cão, da comemoração de um ano novo, creio em 1978 - quase trinta anos e parece que foi ontem -, tinha 18 anos, na qual Jaiel apontava um novo futuro pra o Brasil, a sociedade brasileira, o mundo. Me impressionou). Eu já exercitava umas teses pela esquerda nessa época em Jaguaribe, participando e às vezes desconfiando do vanguardismo do Jaguaribe Carne, que vi nascer na origem mais remota, mas também polemizava, meio como um advogado do diabo. Acompanhava ...

Guy Debord:

"O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens". In: DEBORD, Guy. A sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997, p. 14.
Eleonora e a nave Belo, o Teatro Santa Rosa, aquele salão inteiramente recoberto de pinho de riga, aquele largo palco italiano de tantas histórias. Tive esses pensamentos, reconheço, nada originais, no espetáculo de lançamento do novo disco da cantora e compositora Eleonora Falcone. Eleonora estava em casa, ela se adapta ao palco (“Eleonora e a nave”: a sonoridade de um verso). Nem todas as cantoras conseguem dominar o palco de um teatro. Por outro lado, fiquei, de alguma maneira, macambúzio, por uma intuição que comentei com Cida e alguns amigos: creio que as pessoas estão se “desacostumando” com a forma do espetáculo musical em teatro; com cenário, conceito e atenção concentrada na audição. Hoje, predomina em música, a audição no ginásio, em bar, em praça pública, tudo isso em geral ligado a muita bebida e dança. O bar, o ginásio, a praça pública, desconcentram. Trata-se de uma perda estética, uma regressão da audição. O processo já começou há muitos anos com a impaciência geral para...

Hai-kai e kai-quase (IV)

A grande questão, no fundo, é a seguinte: o que realmente importa não é, precisamente, a forma fixa, mas o que fazemos dela, um pouco parafraseando Sartre. Ou seja: a questão fundamental não é o que o hai-kai é, mas o que fazemos dele. Tenho uma cisma com dois extremos: tanto o que se adequou pacificamente à forma fixa como o que desconhece a rica tradição da poética, a maneira pela qual as formas poéticas foram aparecendo e se impondo como tradição. Nos dias atuais, percebo que começam a aparecer, entre novos poetas e alguns já rodados, um conjunto de maneiras, algumas ricas e outras nem tanto, de lidar com a tradição e a inovação. São dois os extremos: quem se satisfaz com a tradição e quem a desconhece. Há um fundo comum entre as duas situações: a exaustão do discurso da vanguarda, que gerou uma saudável liberalização, mas ao mesmo tempo uma circunstância de convivência, em espaços alternados, tanto de formalismo como de vale tudo. A propósito de um dos que se satisfaz com a tradiçã...

Hai-kai e kai-quase (III)

A grande questão, no fundo é a seguinte: o que realmente importa não é, precisamente, a forma fixa, mas o que fazemos dela, um pouco parafraseando Sartre. Ou seja: a questão fundamental não é o que o hai-kai é, mas o que fazemos dele. Tenho uma cisma com dois extremos: tanto o que se adequou pacificamente à forma fixa como o que desconhece a rica tradição da poética, a maneira pela qual as formas poéticas foram aparecendo e se impondo como tradição. Nos dias atuais, percebo que começam a aparecer, entre novos poetas e alguns já rodados, um conjunto de maneiras, algumas ricas e outras nem tanto, de lidar com a tradição e a inovação. São dois os extremos: quem se satisfaz com a tradição e quem a desconhece. Há um fundo comum entre as duas situações: a exaustão do discurso da vanguarda, que gerou uma saudável liberalização, mas ao mesmo tempo uma circunstancia de predomínio alternado tanto de formalismo como de vale tudo. A propósito dos que se satisfaz com a tradição (prefiro não citar o...

Hai-kai e Hai-quase (III)

Recebo mais um hai-kai do poeta Lau Siqueira, também muito bom, embora possa ser um hai-quase. O poeta desdorda da forma fixa do hai-kai somente no último verso. A questão é a seguinte: temos uma forma ao nosso dispor e podemos trabalhá-la de duas maneiras, aceitando o desafio minimalista proposto pela forma fixa do hai-kai (dezessete silabas poéticas, 5, 7, 5) ou desbordar, chegando até um verso livre de tipo elíptico. Ambas são válidas. Por outro lado, forma fixa ou estilizada, sobra o principal: o que os versos efetivamente dizem ao mundo. No caso de Lau, seguindo a uma classificação puramente didática, o hai-kai anterior era mais “Alberto Caeiro” (pastoral) e o segundo é mais “Álvaro de Campos” (existencial, metafísico, moderno, etc.). suicídio lento na mobília da alma os versos que invento

Hai-kai e Hai-quase (II)

Lau Siqueira Esse hai-kai do poeta Lau Siqueira, muito bom, mais Alberto Caeiro que Álvaro de Campos, por isso mesmo é mais fiel ao conteúdo das tradições do hai-kai do que o de Alice Ruiz, demonstrando que se pode fazer bem feito das duas maneiras (Jaldes Reis de Meneses): ruído d'água no rio nascente música dos peixes