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Mostrando postagens de Junho, 2009

Neda

Jaldes Reis de Meneses

Tenho comigo que as mulheres do Irã

Mortas e espancadas no asfalto

Pela polícia política do Aiatolá Khamenei

Têm simplesmente um perfume de liberdade no sangue.

Nenhuma arma: simplesmente um perfume de liberdade no sangue.

A universidade não é caso de polícia

Publico a seguir um texto de opinião de Vladimir Safatle a propósito dos lamentáveis acontecimentos de invasão policial do campus da USP, cumprindo uma ação equivocada da parte da Reitora da maior Universidade brasileira, esta incrível Suely Vilela, leitora de livros de autoajuda (não é brincadeira minha), que acionou um juiz de primeira instância argüindo uma inexistente insegurança e a possibilidade de depredação de patrimônio da parte de pessoas que se encontram todos os dias nos corredores, salas de aula de laboratórios da Universidade, professores, técnico-administrativo e estudantes. Pergunta-se: como pessoas que se encontram todos os dias de repente revelam um alto grau de periculosidade? Na verdade, há um mal-estar na Universidade, embora esteja longe de ser exclusividade dela: nas entrelinhas das relações cordiais, muitas vezes se esconde o preconceito ideológico, um sentimento de desforra que aparece na emersão do conflito. Raramente publico no blog artigos de outros autores…

Barcarola

Este poemeto surgiu de uma rápida conversa com a poeta e cantora Fidélia Cassandra, conhecida dos tempos de movimento estudantil em Campina Grande, na década de oitenta. A ideia é simples: apanhar a metáfora da viagem, constante na tradição poética, pelo menos, desde a Ilíada, e trazê-la da épica até os dias banais, dois movimentos combinados, já sugeridos, tanto pela saga de Ulisses como pela espera de Penélope. A espera e os dias banais, poesia lírica por dentro da épica. O título - Barcarola, canção dos gondoleiros de Veneza, no qual a cadência do verso procura reproduzir o compasso dos remos batendo nas águas -, nos foi sugerido por Fidélia, superando minha deficiência em títulos e sínteses. (Jaldes Reis de Meneses). x Barcarola

Jaldes Reis de Meneses
Fidélia Cassandra

Se na ida o remo da barcarola raspa o chão,
No retorno da maré ele volta mais fundo.
Ainda mais: mesmo na epiderme
Dos dias banais
O que fizemos
Retorna coisa abissal.