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Mostrando postagens de Maio, 2010

Irã: a contradição em processo

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Jaldes Reis de Meneses

Embora tenha tido a pachorra de vasculhar a cobertura sobre o acordo nuclear do Brasil e da Turquia com o Irã em todos os grandes jornais brasileiros – a exceção talvez de o “Estado de S. Paulo”, ainda o nosso melhor jornal em cobertura internacional –, me chamou a atenção que em nenhum deles aproveitou a celeuma do acordo para fazer um rigoroso detalhamento da história do Irã com o objetivo de melhor compreender as estratégias e o comportamento internacional desse país.

Na maioria dos editoriais da imprensa, o que falta em pesquisa e análise sobra em preconceito, o que é grave, principalmente em ano eleitoral e numa circunstância na qual, pela primeira vez, os dois partidos em contenda – o PT e os PSDB, através de Dilma e Serra – esboçam políticas internacionais bem distintas: o primeiro buscando negociar posições com os países do Conselho de Segurança da ONU e o segundo tendente a adotar uni…

A nova Conferência de Teerã

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Jaldes Reis de Meneses

Em relações internacionais inexistem país e chefe de Estado “ingênuo” nem se improvisa em assunto sério: Lula jamais se deslocaria até o Irã de mãos abanando, caso o script não tivesse sido muito bem ensaiado anteriormente pela visita providencial do chanceler Celso Amorim e a equipe diplomática do Itamaraty.

Político experiente, Lula jamais arriscaria o prestígio internacional e principalmente interno (em tempos de eleição presidencial) desprovido do aceno (senão a certeza) da concertação de um acordo. Toda essa perfumaria é bobagem, a nuvem de fumaça que freqüentemente circula na imprensa e na internet com o objetivo de desviar o foco dos verdadeiros interesses em jogo.

Dessa maneira, tanto Barack Obama como Hillary Clinton evidentemente sabiam de antemão que algum tipo de acordo sairia dos Palácios atapetados de Teerã. O objetivo da desqualificação da posição de Lula e do Brasil sob o epiteto de “ingên…

Europa

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Jaldes Reis de Meneses

A evocação da imagem de uma hecatombe nuclear caso a União Européia mergulhe em uma crise monetária do Euro, distante de exagero alarmista, condiz com a mais pura verdade. É exatamente do que se trata: uma hecatombe nuclear, e nem só nas estruturas do capitalismo mundial, ainda buscando se recuperar à duras penas da crise de 2008 (uma crise de superprodução e realização de mercadorias com epicentro nos Estados Unidos), mas na difícil engenharia política que completa 60 anos de vida neste mês de maio da primavera: a União Européia.

Insisto na imagem da hecatombe por um motivo simples, com duas traduções, a primeira em economês e a segunda em teoria política: diferentemente de um país isolado, está vedada aos países da zona do Euro a hipótese de consumação de política monetária (já que há um único banco central europeu), contudo, os orçamentos fiscais são autônomos. Dessa maneira, comentem grave equívoco…