Mais vale o que será

Teses para aprofundamento:

1) Estão se encerrando dois ciclos históricos combinados, o da constituição de 1988, bem como o "ganha-ganha" policlassista do lulismo originário, possibilitado pela lealdade de todas as forças políticas - mesmo as de oposição - ao terreno comum da atual constituição, não por acaso muito conhecida como "cidadã". É preciso nos prepararmos para o florescimento de um novo período histórico, certamente mais radicalizado e de deslealdade à letra do pacto da lei;

2) É importantíssimo defender e entender o legado contraditório dos governos de Lula e Dilma. Contudo, a nova agregação potencial das massas virá mais, de imediato, de um programa de combate concreto às reformas da previdência, trabalhista e do Estado, entre outras do governo Temer, em intrínseca combinação com a defesa intransigente da democracia contra os retrocessos. Mais vale o que será. Caio Prado Jr., em "A revolução Brasileira", defendeu um programa de reivindicações imediatas e concretas contra o regime militar. Talvez seja o caso de aprender (sem repetir, por defasadas, as reivindicações de outra época) com os elementos vivos desta metodologia;


3) Fundamental pesquisar a "natureza" do golpe como forma política repleta de novidades anatômicas e fisionômicas, fazendo, ao mesmo tempo, um esforço de não se ater apenas às analogias históricas do passado, sem dúvida muito importantes, ainda mais em um país que lida com dificuldades com a própria memória. A forma de um golpe "líquido" por dentro da "normalidade" institucional do sistema político, de violência dispersa em vez de concentrada, indireta em vez de direta, que não liquida a sociedade política ex ante e age molecularmente na sociedade civil, trata-se de uma complexa novidade a ser objeto de estudos sistemáticos. Não foi bem assim em Honduras ou no Paraguai. Cabeça também serve para pensar e não só para usar chapéu. Ambos os usos podem ser excelentes. (Jaldes Meneses)

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