Jaldes Meneses Um dia desses, em entrevista sobre política a um programa local de televisão, um expectador, através do twitter, me perguntou, tentando justificar o mensalão, o que achava de o presidente Lincoln também ter “comprado” votos nos Estados Unidos para conseguir a abolição da escravatura. Respondi elipticamente que mãos sujas não produzem política limpa. Mas a questão voltou algumas vezes à minha cabeça, por assim dizer não me abandonava. Evidentemente, o expectador havia assistido, com eu, o filme “Lincoln” de Steven Spielberg, baseado em um pequeno trecho do livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin, que recolhe um episódio fortuito de uma história muito mais complexa. Para ele, a verdade da guerra de secessão americana – ajudado pela interpretação verossimilhante de Daniel Day-Lewis –, em vez de resultado de pesquisa histórica, passou a ser a ficção de Spielberg, recheada de recados a Obama de como suportar estoicamente, em nome d...