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Mostrando postagens de maio, 2013

Amor e capital

                                                                                                                     Jaldes Meneses             Passei 15 dias dedicados à leitura das cerradas 957 páginas de “Amor e capital”, biografia escrita por Mary Gabriel (ex-editora da agência de notícias Reuters) recém lançada no Brasil, que abandonou o bom emprego para...

Gramsci e o comunismo

Amanhã, terça-feira, 21 de maio, às 15 horas, farei uma palestra, junto com o professor Rodrigo Freira (DCS-UFPB), no auditório 412 do CCHLA – intitulada "Gramsci, o comunismo e o Estado". Sintam-se convidados. Diferentemente dos fundadores do marxismo, Gramsci propõe como comunismo uma sociedade – um tipo de autogoverno regulado e mediado – na qual desapareçam as diferenças entre “governados” e “governantes”, mas jamais a ausência da “mediação-governo” entre os homens -, a anarquia. O comunismo em Marx é denso em conteúdo e frágil em forma. Se no comunismo não haverá mais contrato social stricto sensu, certamente haverá instituições associativas coletivas e permanentes; relações ad hominem, é certo, desde que mediadas institucionalmente. Os fundadores do marxismo escreveram sobre a passagem no futuro do “governo dos homens” para o “governo das coisas”. Nada mais distante de Gramsci que as ideias utópicas de extinção do Estado, no sentido de desaparecimento do governo ...

Lincoln e Marx

Jaldes Meneses Um dia desses, em entrevista sobre política a um programa local de televisão, um expectador, através do twitter, me perguntou, tentando justificar o mensalão, o que achava de o presidente Lincoln também ter “comprado” votos nos Estados Unidos para conseguir a abolição da escravatura. Respondi elipticamente que mãos sujas não produzem política limpa. Mas a questão voltou algumas vezes à minha cabeça, por assim dizer não me abandonava. Evidentemente, o expectador havia assistido, com eu, o filme “Lincoln” de Steven Spielberg, baseado em um pequeno trecho do livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin, que recolhe um episódio fortuito de uma história muito mais complexa. Para ele, a verdade da guerra de secessão americana – ajudado pela interpretação verossimilhante de Daniel Day-Lewis –, em vez de resultado de pesquisa histórica, passou a ser a ficção de Spielberg, recheada de recados a Obama de como suportar estoicamente, em nome d...

Edmundo Fernandes Dias

  Jaldes Reis de Meneses [1] De espírito profundamente consternado recebo a notícia pela internet de falecimento do professor Edmundo Fernandes Dias, aos que não conhecem, da UNICAMP e militante histórico do ANDES, o sindicato nacional dos professores universitários. Nele, para mim, não havia duplicidade entre frente e verso, cara e coroa, intelectual e militante. Ele era inteiriço. Tratava-se de uma dessas pessoas raras que fizeram de fato uma opção e a ela se entregou. Edmundo fez a opção pelos trabalhadores e sua cultura, por isso cultivou sem tréguas um ódio visceral ao capital. Definitivamente, não foi um homem dos atalhos e ambigüidades tão comuns ao mundo acadêmico. Tinha um verdadeiro amor ao conhecimento, não lhe animava simplesmente fazer carreira, pontuar currículos, mas por a imaginação e o trabalho intelectual a serviço de uma causa emancipatória. Se era intransigente, nunca foi um sectário. Na maioria das vezes, cruzei com...